Até o segundo tempo, Pica-Pau

Marcus Vinicius Batista O que dizer quando você descobre, feito soco no queixo, que um amigo seu morreu? O que pensar sobre a surpresa, a mensagem que rasga qualquer dia, qualquer semana, senão chorar como criança? O que escrever quando se sabe que quaisquer palavras serão insuficientes para homenagear ou dar significado para uma relação de amizade que só o futebol consegue construir? Marcio Andrade, o Pica-Pau, como era conhecido desde moleque, foi um amigo que o futebol me presenteou depois de velho. Diria veterano, no linguajar dos campos de society, mais adequado em tamanho e velocidade para nossas idades. Ficamos amigos com quase 40 anos. Antes, muito tempo antes, fomos adversários. E eu o temia. Temia pelos mesmos motivos até a última partida que jogamos juntos. E me sentia seguro em jogar com ele pelas mesmas razões e qualidades. Pica-Pau foi um dos sujeitos mais respeitosos que o futebol me permitiu conhecer. Raras vezes o vi nervoso a ponto de erguer a...